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Os Lvsiadas de Luis Vaz de Camões


Dedicatória

Dedico esta página àqueles que ao longo de todos estes anos me foram mostrando que existe um universo fabuloso que devemos conhecer, conquistar e explorar - o Universo Literário. A todos eles (Especial agradecimento ao Prof. António Nunes falecido no passado ano de 2004), Muito Obrigada!





.: LITERATURA LUSITANA :.


A LÍNGUA PORTUGUESA!

     Com que ternura a vejo surgir da fala galega — pequena fonte, simples veio de água cristalina —, brincar nos versos arcaicos de D. Dinis, tão primitiva como a falariam, se a pedra pudesse animar-se, os reis e os apóstolos do pórtico da Glória, de Santiago! Com que desvanecimento a sinto, já corrente murmurante, tomar vulto na prosa de Fernão Lopes — surpreendente tapeçaria da Idade Média, tropel de desordens e batalhas, onde retinem armaduras, gritam arautos, soam trombetas —; cantar e bailar nas doiradas éclogas pastoris de Gil Vicente; esplender, como as pratas cinzeladas da Renascença, nos graves sonetos italianos de Sá Miranda! Com que orgulho ela se levanta em arco triunfal — língua de conquistadores e dominadores —, solene na Ásia de João de Barros, ofuscante nas oitavas d'Os Lusíadas, tão sonora que a ouviu no século XVI o mundo inteiro, tão universal que une, no fulgor do seu abraço, todos os continentes e todos os oceanos! Ainda há pouco pequeno ribeiro onde se afoga o rouxinol de Bernardim, já a vejo, já a ouço marulhar em ondas na eloquência de Vieira; alargar em estuário no límpido vernáculo de Bernardes; ulular em tempestade na prosa trovejante de José Agostinho; e, por momentos tranquila, fluida, transparente, luminosa, na graça ateniense de Garret, agitar-se de novo, rugir, bramir, uivar, altear-se em vagas, referver em cachões, palpitar de confrangedora, de infinita dor humana, nas novelas de Camilo e nos sonetos de Antero! Língua batida na forja dos combates, rezada nos horrores dos naufrágios, língua de dor e de amor, que tem a eternidade da pedra nos padrões dos navegadores, o tom de bronze na voz imperial de Albuquerque, a humildade das pombas na lírica de João de Deus — como não havemos nós de a amar, se ela é feita do melhor do nosso sangue e da nossa glória; se ela é a mais viva expressão da nossa imortalidade; se — obra laboriosa dos séculos! — ela viveu antes de nós e viverá para além de nós; se ela é, enfim, o vinculo imortal que nos une e a voz dos mortos que nos fala?!

JÚLIO DANTAS — UNIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA

 

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